Banco Mundial projeta desaceleração e estima crescimento de 2% do Brasil em 2026

DA REDAÇÃO

O Banco Mundial projeta que a economia brasileira deverá crescer menos em 2026, com uma expansão estimada em 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão consta no mais recente relatório da instituição, que aponta um cenário de desaceleração para países emergentes, apesar de uma resiliência maior da economia global como um todo.

Segundo o documento, o Brasil tende a sentir os efeitos de um ambiente internacional menos favorável, combinado com restrições internas que limitam o ritmo de crescimento. Entre os principais fatores citados estão o aperto das condições financeiras globais, juros elevados por um período prolongado e desafios fiscais persistentes.

O relatório destaca que, após um desempenho relativamente mais robusto nos anos anteriores, a economia brasileira entra em uma fase de moderação. O consumo das famílias segue sustentado pelo mercado de trabalho ainda aquecido, mas perde força diante do custo elevado do crédito e da inflação que, embora mais controlada, continua pressionando setores específicos.

No campo dos investimentos, o Banco Mundial avalia que o cenário segue desafiador. A incerteza fiscal, associada ao nível elevado da dívida pública e à necessidade de consolidação das contas do governo, tende a conter novos aportes produtivos. Além disso, o ambiente de juros altos reduz o apetite ao risco, afetando principalmente investimentos de longo prazo.

O crescimento de 2% projetado para 2026 coloca o Brasil abaixo de sua média histórica recente e reflete uma tendência observada em outras economias emergentes. O relatório aponta que países em desenvolvimento enfrentam dificuldades semelhantes, com menor impulso externo, redução do comércio global e menor fluxo de capitais internacionais.

Ainda assim, o Banco Mundial ressalta que a economia global demonstra maior capacidade de absorver choques do que em ciclos anteriores. Economias avançadas apresentam crescimento moderado, enquanto grandes mercados emergentes mantêm algum nível de resiliência, evitando um cenário de recessão ampla.

Para a América Latina, o relatório indica um desempenho heterogêneo. Países exportadores de commodities tendem a enfrentar maior volatilidade, especialmente diante de oscilações nos preços internacionais e da desaceleração da demanda global. No caso brasileiro, a dependência de commodities agrícolas e minerais segue sendo um fator relevante para o desempenho econômico.

O documento também chama atenção para a importância de reformas estruturais como forma de elevar o potencial de crescimento. O Banco Mundial destaca avanços recentes em marcos regulatórios e no ambiente de negócios, mas avalia que ainda há espaço para melhorias, sobretudo em produtividade, infraestrutura e eficiência do setor público.

No campo fiscal, a instituição reforça que o equilíbrio das contas públicas será determinante para sustentar o crescimento nos próximos anos. A previsibilidade das regras fiscais e a credibilidade da política econômica são apontadas como elementos centrais para atrair investimentos e reduzir a volatilidade macroeconômica.

Economistas avaliam que a projeção de 2% para 2026 indica um crescimento insuficiente para promover avanços significativos em renda per capita e redução de desigualdades. Embora não represente um cenário de crise, o ritmo mais lento limita ganhos sociais e amplia a pressão por políticas públicas mais eficientes.

O relatório do Banco Mundial reforça, portanto, a leitura de que 2026 deve ser um ano de transição para a economia brasileira, marcado por crescimento moderado, desafios fiscais e necessidade de reformas. O desempenho final dependerá da condução da política econômica, da evolução do cenário internacional e da capacidade do país de destravar investimentos e aumentar sua produtividade.