Ibaneis diz que economia do DF não deve melhorar e prega “cinto apertado” em 2026

Após falar em 'cinto apertado', Ibaneis diz não haver 'perspectiva de  melhora da economia' do DF
DA REDAÇÃO

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou nesta quarta-feira (8) que não vê perspectiva de melhora para a economia do DF ao longo de 2026 e que o cenário exige medidas de contenção de gastos por parte do governo local. A declaração foi dada após o governador voltar a usar a expressão “cinto apertado” para definir a situação fiscal enfrentada pela capital do país.

Segundo Ibaneis, o Distrito Federal sofre impactos diretos da desaceleração econômica nacional, do aperto fiscal e das incertezas em relação às contas públicas da União. Para o governador, esse contexto limita a capacidade de investimento do GDF e impõe prudência na execução do orçamento ao longo do próximo ano.

“O cenário não é positivo. Não há, hoje, nenhuma perspectiva de melhora significativa da economia do Distrito Federal em 2026”, afirmou o governador, ao destacar que a administração precisará priorizar despesas essenciais e evitar novos compromissos financeiros que comprometam o equilíbrio das contas públicas.

O Distrito Federal tem uma característica econômica distinta em relação a outros estados brasileiros. Grande parte de sua atividade está ligada ao setor público, aos serviços e à administração federal, o que torna a economia local altamente dependente das decisões tomadas em Brasília. Com a União enfrentando restrições fiscais, reflexos diretos recaem sobre arrecadação, consumo e investimentos na capital.

Ibaneis ressaltou que, apesar do discurso de austeridade, o governo não pretende interromper serviços essenciais nem comprometer áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e segurança pública. No entanto, deixou claro que novos projetos, contratações e ampliações de despesas devem passar por análise rigorosa.

A fala do governador ocorre em um momento de pressão crescente sobre os governos estaduais e distrital, que enfrentam aumento de custos, especialmente com pessoal, custeio da máquina pública e manutenção de serviços, ao mesmo tempo em que lidam com limitações impostas pela legislação fiscal. A combinação de juros elevados, inflação resistente em alguns setores e crescimento econômico moderado tem dificultado o planejamento de médio e longo prazo.

Nos bastidores, integrantes do governo do DF reconhecem que a situação exige ajustes internos e revisão de prioridades. A orientação é reduzir despesas administrativas, rever contratos e conter gastos considerados não essenciais, além de buscar maior eficiência na arrecadação sem elevar a carga tributária sobre a população.

Ibaneis também indicou preocupação com o comportamento da economia nacional e seus desdobramentos regionais. Para ele, enquanto não houver um ambiente macroeconômico mais favorável, com maior previsibilidade fiscal e estímulo ao crescimento, o Distrito Federal continuará operando sob limitações severas.

A declaração do governador repercutiu entre parlamentares e representantes do setor produtivo local. Empresários avaliam que o discurso reforça a percepção de um ano difícil à frente, especialmente para setores que dependem de contratos públicos e investimentos governamentais. Já opositores criticam o tom pessimista e cobram estratégias mais claras para fomentar a atividade econômica e gerar empregos.

Economistas ouvidos ao longo dos últimos meses apontam que o DF enfrenta um desafio estrutural: diversificar sua base econômica. Embora o setor de serviços seja forte, a dependência do funcionalismo público e de transferências federais limita a capacidade de reação em períodos de ajuste fiscal nacional. Iniciativas voltadas à inovação, tecnologia e economia criativa são vistas como caminhos possíveis, mas de resultados mais lentos.

Apesar do cenário adverso, o governador afirmou que o governo seguirá dialogando com o setor produtivo e com o Legislativo local para buscar alternativas que minimizem os impactos da desaceleração. Segundo ele, o objetivo é atravessar 2026 preservando o equilíbrio fiscal e mantendo o funcionamento da máquina pública sem comprometer a qualidade dos serviços prestados à população.

As declarações de Ibaneis reforçam um discurso de cautela que deve marcar o debate político e econômico do Distrito Federal ao longo do ano. Com poucas margens para expansão de gastos e sem expectativa de melhora no curto prazo, o governo sinaliza que 2026 será um período de ajustes, decisões difíceis e foco na sustentabilidade das contas públicas.