
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (20) uma redução de 4,9% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, com efeito a partir desta terça-feira (21). A diminuição equivale a R$ 0,14 por litro, o que fará o valor médio cobrado nas refinarias cair de R$ 2,85 para R$ 2,71 por litro. A frase-chave “Petrobras reduz gasolina” simboliza mais um movimento estratégico da estatal para equilibrar o preço dos combustíveis diante das oscilações do mercado internacional.
Esta é a segunda redução de preços em 2025, em um cenário de queda nas cotações do petróleo e desaceleração global da demanda por combustíveis. Segundo a companhia, o ajuste busca alinhar os preços internos à paridade internacional, levando em consideração custos de importação e câmbio.
“A decisão reflete o compromisso da Petrobras com a competitividade de seus produtos e o equilíbrio de mercado, sem abrir mão da sustentabilidade financeira”, declarou a estatal em nota oficial.
O corte ocorre em meio a uma conjuntura de pressão por combustíveis mais baratos no Brasil. Apesar da redução, o preço doméstico ainda permanecia acima da média internacional, especialmente após a recente desvalorização do real frente ao dólar.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina nas bombas gira em torno de R$ 5,54 por litro. Com a queda nas refinarias, a expectativa é de uma redução entre R$ 0,08 e R$ 0,10 por litro ao consumidor final, dependendo das margens de distribuição e revenda em cada estado.
Contexto internacional e estratégia da Petrobras
O recuo acompanha o movimento de queda do barril de petróleo Brent, que vem sendo negociado abaixo dos US$ 80, pressionado pelo aumento da oferta global e pela desaceleração do consumo em grandes economias, como China e União Europeia.
A decisão também reforça a estratégia da Petrobras de manter flexibilidade na política de preços, implementada em 2023, que substituiu a antiga paridade internacional automática por um modelo que considera variáveis locais, como custos logísticos e competitividade doméstica.
Especialistas avaliam que a redução é um gesto de alívio para o consumidor e, ao mesmo tempo, uma tentativa de manter a estatal competitiva diante de importadores independentes que vinham oferecendo combustíveis mais baratos.
“Há espaço para cortes moderados, mas a empresa precisa equilibrar os preços para não comprometer seu caixa nem estimular importações em larga escala”, explicou o economista Adriano Pires, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).
Impactos econômicos e políticos
A queda no preço da gasolina tem impacto direto sobre o índice de inflação (IPCA), já que o combustível é um dos itens com maior peso no cálculo do custo de vida. Analistas projetam que a medida pode reduzir o IPCA de outubro em até 0,05 ponto percentual, contribuindo para o controle da inflação e fortalecendo o cenário de estabilidade dos juros.
Politicamente, a redução ocorre em um momento de tensão entre o governo federal e o mercado em torno da política de preços da Petrobras. O Palácio do Planalto vinha defendendo ajustes graduais e previsíveis, para evitar choques inflacionários, enquanto investidores cobram uma política mais alinhada à rentabilidade e ao mercado global.
Mesmo com a queda, o preço do diesel — combustível essencial para o transporte e a agricultura — não sofreu alterações nesta rodada. Segundo a estatal, eventuais ajustes dependerão do comportamento das cotações internacionais nas próximas semanas.
A Petrobras, que registrou lucro líquido de R$ 27,9 bilhões no segundo trimestre de 2025, tem reforçado sua atuação em energia renovável e biocombustíveis, além de manter investimentos em refinarias e infraestrutura logística.
Com o novo reajuste, o mercado espera ver um efeito gradual nas bombas nos próximos dias, especialmente nas capitais do Sudeste e Sul, onde a logística de distribuição é mais eficiente.
