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Uma batalha judicial envolvendo a herança da família Agnelli, controladora da Fiat, pode desencadear uma das maiores reviravoltas corporativas da história europeia recente. A disputa ganhou novo fôlego após a apresentação de um documento inédito ao tribunal de Turim, na Itália, que questiona a autenticidade do testamento do patriarca Gianni Agnelli figura histórica responsável por transformar a Fiat em um império global, com braços que vão da indústria automotiva à escuderia Ferrari.
A crise sucessória envolve diretamente os interesses da holding Exor, conglomerado que detém participações não apenas na Fiat Chrysler Automobiles (FCA), mas também na Ferrari, Stellantis, Juventus FC, The Economist, entre outros. Segundo fontes ligadas ao caso, o novo documento pode comprometer a legalidade do atual arranjo de poder dentro da dinastia Agnelli, especialmente o protagonismo de John Elkann, neto de Gianni e atual CEO da Exor.
A herança da Fiat, estimada em dezenas de bilhões de euros, inclui ações de controle em marcas mundialmente reconhecidas, o que torna o caso ainda mais sensível. Se a nova prova for aceita, poderá haver reestruturações de governança na Exor, inclusive na Ferrari, que desde 2016 opera de forma independente da FCA, mas ainda tem a família Agnelli como acionista majoritária.
O início da disputa
Tudo começou com a contestação feita por Margherita Agnelli, filha de Gianni. Ela afirma que foi mantida à margem de decisões e documentos que determinaram o destino do espólio bilionário de seu pai. O documento recém-apresentado por seus advogados levanta suspeitas sobre a existência de outros testamentos que não teriam sido registrados publicamente à época da morte do patriarca, em 2003.
A nova ação judicial visa obter acesso completo aos documentos de sucessão, incluindo movimentações de ativos e a gestão dos trusts criados pela família. Na prática, Margherita pode conseguir anular ou reconfigurar partes do testamento, abrindo espaço para uma redistribuição do controle acionário do grupo.
Implicações para a Ferrari
Embora a Ferrari já seja uma empresa de capital aberto e tenha certa autonomia, a mudança no controle da Exor pode influenciar diretamente sua governança. John Elkann, que também atua como presidente da Ferrari, poderia ser destituído caso a estrutura atual da holding fosse alterada por decisão judicial.
Isso é relevante não apenas para os negócios, mas para a Fórmula 1, onde a Ferrari tem posição de prestígio e recebe tratamento diferenciado por sua história. Mudanças no topo da liderança podem afetar estratégias esportivas e comerciais da escuderia.
Repercussão internacional
A disputa pela herança da Fiat já ultrapassa fronteiras. O caso está sendo acompanhado de perto por investidores de Wall Street e da bolsa de Milão, onde ações da Ferrari e Stellantis (grupo que une Fiat e Peugeot) são negociadas. A incerteza quanto ao futuro da liderança gera preocupação sobre estabilidade, continuidade de investimentos e governança.
Além disso, o envolvimento de nomes pesados como o banco Rothschild, responsável pela administração de parte dos bens da família Agnelli, também adiciona uma camada de complexidade geopolítica ao caso. Afinal, estamos falando de um dos clãs empresariais mais poderosos da Europa desde o pós-guerra.
John Elkann sob pressão
Considerado o herdeiro natural de Gianni Agnelli, John Elkann é visto como o guardião do legado familiar. Foi sob sua gestão que a Fiat sobreviveu à crise dos anos 2000, fundiu-se com a Chrysler, deu origem à Stellantis e impulsionou a Ferrari como marca de luxo e potência na F1.
No entanto, o embate familiar coloca em xeque sua legitimidade. Caso a Justiça italiana aceite os argumentos de Margherita, Elkann pode ser obrigado a ceder espaço ou rever decisões estratégicas algo que poderia afetar não apenas o grupo Exor, mas todo o ecossistema de empresas sob sua influência.
O futuro do império Agnelli
O desfecho da batalha ainda é incerto, mas o que já se sabe é que o impacto não será pequeno. Uma reviravolta no controle da Exor pode redefinir o mapa de poder de gigantes como Ferrari, Stellantis, Juventus e até da mídia internacional, com o jornal The Economist no radar.
Por enquanto, o conselho de administração da Exor e os advogados de John Elkann não se pronunciaram oficialmente. A defesa de Margherita, por sua vez, afirma que não busca dinheiro, mas sim “transparência, justiça e acesso aos direitos de herdeira legítima”.
