
A busca por soluções eficazes no combate à obesidade ganha um novo capítulo no Brasil com a chegada das canetas emagrecedoras nacionais. Produzidas à base de liraglutida, essas medicações são apelidadas de “Ozempic brasileiro”, em alusão ao fármaco importado que se popularizou mundialmente como uma das principais ferramentas para controle de peso. A novidade traz promessas de acesso mais barato e amplo ao tratamento, agora com produção nacional e aprovação da Anvisa.
As primeiras versões das canetas emagrecedoras nacionais começaram a chegar às farmácias brasileiras no início de agosto, oferecendo uma alternativa para o tratamento da obesidade e sobrepeso em pacientes com comorbidades associadas. A fórmula com liraglutida é a mesma presente no Saxenda, nome comercial do medicamento produzido pela dinamarquesa Novo Nordisk. No entanto, com a chegada de genéricos e similares nacionais, espera-se uma redução significativa no preço e maior distribuição em farmácias públicas e privadas.
Segundo informações de fabricantes e distribuidores, o preço médio da caneta nacional de liraglutida deve variar entre R$ 800 e R$ 1.200 por mês de tratamento, com valores ainda acima de medicamentos comuns, mas inferiores ao preço praticado anteriormente, que ultrapassava os R$ 1.500 mensais. A aplicação é diária e subcutânea, e o tratamento deve ser sempre prescrito e acompanhado por um médico, preferencialmente endocrinologista.
A liraglutida atua mimetizando a ação do hormônio GLP-1, que regula a sensação de saciedade e retarda o esvaziamento gástrico. O paciente sente menos fome e, como consequência, tende a reduzir a ingestão de calorias. Além disso, há impacto positivo no controle glicêmico, o que a torna indicada especialmente para pessoas com obesidade e risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
A chegada das canetas emagrecedoras nacionais representa um passo importante no enfrentamento de uma epidemia silenciosa no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 22% da população adulta brasileira é obesa, e mais de 50% está com sobrepeso. A obesidade é fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, apneia do sono e até certos tipos de câncer.
Apesar dos benefícios observados em estudos clínicos e da grande procura, especialistas alertam que o uso da liraglutida não é uma solução mágica. O tratamento só traz resultados duradouros quando associado a mudanças de hábitos alimentares, prática de atividades físicas e acompanhamento psicológico. Além disso, efeitos colaterais como náusea, vômitos, dor de cabeça e diarreia são comuns, especialmente nas primeiras semanas.
A endocrinologista Ana Paula Varella explica que a medicação deve ser usada com cautela. “É importante que o paciente entenda que o medicamento é um auxílio, não uma cura. O acompanhamento profissional é fundamental para ajustar a dose, monitorar efeitos e garantir que a perda de peso aconteça de forma segura”, afirma.
Outro ponto destacado por médicos e entidades de saúde é o perigo do uso sem prescrição. Com a popularização da “caneta emagrecedora”, muitas pessoas recorrem à automedicação ou à compra ilegal de fármacos em redes sociais e sites duvidosos. Esse tipo de prática não só é ineficaz como pode colocar a vida em risco.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que apenas medicamentos aprovados e comercializados em farmácias regularizadas devem ser utilizados. Em nota, o órgão afirmou que a produção local segue os mesmos critérios de segurança, eficácia e controle de qualidade exigidos internacionalmente.
O lançamento nacional também deve impulsionar programas de saúde pública. Existe expectativa de que, com a queda no custo, o SUS possa incluir o medicamento no rol de tratamentos disponíveis para casos graves de obesidade, especialmente quando associada a comorbidades. A medida ainda está em análise por órgãos reguladores e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Enquanto isso, planos de saúde privados já começam a receber pedidos de cobertura para o tratamento com as novas versões do medicamento, principalmente após a atualização do Rol da ANS que reconhece a obesidade como doença crônica e exige cobertura de seus tratamentos.
A entrada de laboratórios brasileiros na produção de canetas com liraglutida não apenas estimula a concorrência e reduz preços, como também posiciona o Brasil como um ator relevante no mercado de biotecnologia farmacêutica. Empresas como EMS e Aché anunciaram investimentos robustos em unidades de produção nacional para atender à crescente demanda.
É importante lembrar que o medicamento não deve ser utilizado por pessoas com histórico de pancreatite, problemas renais graves ou alergia aos componentes da fórmula. A bula também alerta para o monitoramento de pacientes com doenças psiquiátricas, devido a relatos de alteração de humor e pensamentos depressivos.
A popularização das canetas emagrecedoras no Brasil é reflexo de uma tendência global, impulsionada por celebridades, influenciadores e até executivos do Vale do Silício, que utilizaram medicamentos como o Ozempic e o Wegovy como parte de rotinas de controle de peso. Contudo, o entusiasmo deve ser equilibrado com consciência médica e responsabilidade social, para que o acesso ampliado represente um verdadeiro avanço e não apenas uma nova febre de consumo.
Com a produção nacional em andamento, o Brasil passa a figurar no radar internacional como um dos principais mercados emergentes no setor de medicamentos para obesidade, ao lado da Índia e de países do sudeste asiático.
